sábado, 18 de fevereiro de 2017

Confira as principais dúvidas sobre o imposto de renda 2017


Ano vai, ano vem, e, como disse Benjamin Franklin (1706 – 1790), “Neste mundo nada pode ser dado como certo, à exceção da morte e dos impostos”. Pois bem: no dia 2 de março, uma quinta-feira, após a quarta-feira de cinzas, será dada a largada para a temporada do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF 2017, com as informações do ano-calendário 2016.

Pensando em facilitar a vida dos Contadores e contribuintes em geral, o Clube do Contador Certisign traçou alguns dos principais pontos que podem ser fundamentais na hora de preencher o documento mais tenso do ano. Vamos lá:

Confira as 16 principais dúvidas sobre o imposto de renda 2017:

P: Até quando a declaração do IRPF pode ser entregue?

Resposta: Até 28 de abril, às 23 horas, 59 minutos e 59 segundos.

P: O programa gerador da declaração já está disponibilizado no site?

R: O programa gerador do documento será disponibilizado para download no site da Receita Federal no dia 23 de fevereiro, segundo informou o órgão.

P: Há novidades para a declaração deste ano?

R: Sim, a Instrução Normativa nº 1.688, da Receita Federal do Brasil, determinou que, a partir de agora, os contribuintes que desejarem incluir dependentes na declaração do IRPF 2017 devem registrá-lo no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF caso tenham 12 anos ou mais. Até então, a obrigatoriedade era válida somente para dependentes com 14 anos ou mais.

P: Qual o tipo de Certificado Digital

Para a entrega do IRPF é possível utilizar o Certificado e-CNPJ ou e-CPF do tipo A1 (em software ou pelo Celular com o mobileID) ou a3 (Cartão inteligente e Token).

P: Declaração Pré-preenchida

É importante frisar que para usufruir da declaração pré-preenchida é preciso que o Certificado Digital esteja válido, ou seja dentro do prazo de validade.

P: Quais documentos o contribuinte deve reunir para esta prestação de contas?

Cópia da declaração do IRPF 2016;

Os seguintes informes de rendimentos: das fontes pagadoras, do INSS (para quem recebe benefícios previdenciários), de previdência privada, de rendimentos financeiros fornecidos por bancos;

Recibos e carnês de despesas escolares dos dependentes ou do próprio contribuinte, com nome e CNPJ da instituição de ensino;

Recibos de aluguéis pagos ou recebidos em 2016;

Nome e CPF de dependentes maiores de 12 anos;

Nome e CPF de ex-cônjuge e filhos para comprovação de pagamento de pensão alimentícia;

Nome e CNPJ dos beneficiários de pagamentos a hospitais, planos de saúde, clínicas médicas etc;

Nome e CPF dos beneficiários de despesas com saúde, como médicos, dentistas, psicólogos, psiquiatras etc;

Nome e CPF de beneficiários de doações ou heranças, bem como o respectivo valor;

Dados do empregador doméstico com os devidos recolhimentos das contribuições do INSS;

Escrituras ou compromissos de compra e venda de imóveis; documento de compra ou venda de veículos em 2016;

Documento de compra de bens por consórcio;

documentos sobre rescisão trabalhista.

P: E no caso de autônomos?

R: Os profissionais autônomos têm que reunir os seguintes documentos: cópias de recibos e notas fiscais fornecidos a clientes ou pacientes, em caso de autônomos.

P: Quem está obrigado a declarar o IRPF neste ano?

Toda pessoa física que recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 28.123,91 em 2016 (ainda não foi divulgada a Instrução Normativa com a tabela oficial do Imposto de Renda 2017);

Os contribuintes que obtiveram ganho de capital na alienação de bens ou direitos;

As pessoas que realizaram operações em bolsa de valores, de futuros, de mercadorias e congêneres;

Quem recebeu renda isenta, não tributável ou tributada na fonte, exclusivamente, cuja soma tenha sido maior que R$ 40 mil no ano passado;

Quem teve, em 2016, receita bruta em valor superior a R$ 140.619,55 proveniente de atividade rural;

As pessoas que optaram pela isenção do imposto sobre a renda que incide sobre ganho de capital auferido na venda de imóveis residenciais, cujo produto da venda seja destinado à aplicação na aquisição de imóveis residenciais situados no Brasil;

Contribuintes que passaram a ser residente no Brasil, em qualquer mês do ano passado;

A pessoa que tiver a propriedade ou a posse de bens ou direitos, inclusive terra nua, acima de R$ 300 mil.

P: Quem está isento de cumprir com esta obrigação?

Toda pessoa que: tem renda relativa à aposentadoria, reforma ou pensão;

Recebe menos de R$ 1.903,98 mensais;

Portadores das seguintes doenças graves: Aids, alienação mental, cardiopatia grave, cegueira, contaminação por radiação, osteíte deformante, doença de Parkinson, esclerose múltipla, fibrose cística, epondiloartrose anquilosante, mucoviscidose, hanseníase, nefropatia grave, hepatopatia grave, neoplasia maligna, tuberculose ativa e paralisia irreversível e incapacitante.

P: Caso o contribuinte se enquadre na situação de doença grave, o que deve fazer?

R: Caso esteja na situação de isento, a pessoa deve procurar um serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos municípios para que seja emitido laudo pericial comprovando a doença.

P: Todas as despesas com educação podem ser deduzidas?

R: Não, só são dedutíveis os pagamentos de despesas com educação nas seguintes conjunturas:

Educação infantil (creches e pré-escolas);

Ensino fundamental;

Ensino médio;

Educação superior – graduação e pós-graduação, mestrado, doutorado e especialização;
Ensino técnico e tecnológico.

P: E no que diz respeito às despesas médicas, quais podem ser deduzidas do IR?


R: Podem ser deduzidos, sem limite de valor, todos os gastos médicos, como consultas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeuta ocupacional. Além disso, estão inclusas as despesas com planos de saúde, hospitais, exames laboratoriais, serviços radiológicos, próteses ortopédicas e dentárias, aparelhos ortopédicos, compra e colocação de marca-passo, dentaduras, coroas, aparelho dentário e pontes; estabelecimentos geriátricos, entre outros.

P: Essas despesas com saúde só valem para o próprio contribuinte, ou também para os seus dependentes?

R: As despesas com saúde são válidas tanto para o contribuinte quanto para os seus dependentes.

P: O que não é considerado despesa com saúde para o fisco?

Não pode ser deduzido: compra de óculos, lentes de contato, despesas que tenham sidos reembolsadas ou cobertas por apólices de seguro, aparelhos de surdez, planos de saúde pagos no exterior, prótese de silicone.

P: Quem entrega a declaração mais cedo tem algum benefício?

R: Sim. O quanto antes a pessoa entregar o documento, mais cedo ela receberá a restituição, se este não tiver erros nem equívocos.

P: Existe limite de idade para declarar?

R: Não há limitação quanto à idade.

Fonte: Certisign


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

UNIDADE REGIONAL AGRESTE DA FIEPE OFERECE SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE SALAS

Imagem da internet

Unidade Regional Agreste da Fiepe oferece serviço de locação de salas
30/01/2017

Para atender ao setor industrial em todo o Estado, a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) oferece diversos serviços para os empresários. Entre eles, a locação de salas das unidades regionais como acontece na sede do Agreste, que está localizada em Caruaru. A unidade dispõe de infraestrutura moderna com ambientes climatizados para as empresas realizarem eventos, reuniões de negócios, treinamentos e capacitações para públicos de variados tamanhos.

A Unidade Regional Agreste (URA) da Fiepe possui três opções de sala e um auditório, todos com internet e recursos multimídia. Os espaços têm capacidade para comportar de forma personalizada grupos de três a 100 pessoas. A localização estratégica, próximo ao centro da cidade, permite fácil acesso e tranquilidade para o deslocamento da equipe e a organização do lugar. A indústria também é beneficiada com valores especiais de locação disponibilizados pela Entidade.

A gerente regional agreste da Fiepe, Carolina Campos, ressalta a estrutura ofertada pela Federação. “Realizamos uma grande reforma na nossa unidade, no final de 2016, com o intuito de melhor atender nossos clientes. Atualmente, contamos com duas salas de treinamento com capacidade para 30 pessoas cada, uma sala de reunião também com capacidade para 30 pessoas, um auditório para 100 pessoas e uma sala de atendimento que comporta de duas a quatro pessoas, que pode ser locada para entrevistas de empregos e negócios”.

Os interessados em conhecer a estrutura da Fiepe Agreste devem entrar em contato para realizar o agendamento prévio. Os contatos são pelos telefones: (81) 3722-5667 e (81) 99123-7888; ou pelo e-mail: regional.agreste@fiepe.og.br. Em Caruaru, a FIEPE funciona na Rua Padre Félix Barreto, nº 79, no bairro Maurício de Nassau.

Fonte: Fiepe


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

“Temos um problema: não há jovens a quererem ser engenheiros têxteis”


Braz Costa, Diretor Geral do Citeve, defende que os têxteis técnicos precisam de engenheiros que incorporem tecnologia numa indústria que está a mudar a grande velocidade

Num momento em que a indústria têxtil considerou 2016 o seu “ano de ouro”, ao atingir um recorde de 7,3 mil milhões de euros de volume de negócios, há que dar atenção a uma especialidade que está a ganhar cada vez mais espaço no setor: a dos têxteis técnicos. Atualmente, este segmento que exige grande incorporação de tecnologia, valerá entre 25 a 30% do total (cerca de dois mil milhões de euros), apresentando grande potencial de crescimento. Está presente sobretudo na indústria automóvel, no desporto e na proteção individual, e a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal estima que, este ano, cresça até aos 40%.

Itália, Alemanha e França são os grandes protagonistas numa área onde a Europa (ainda) lidera. Mas cuidado com a China. Portugal não se tem saído nada mal, mas quer fazer ainda melhor.

Esta semana, o Citeve – Centro Tecnológico Têxtil e Vestuário reuniu, durante dois dias, em Matosinhos vários oradores estrangeiros e portugueses que falaram do potencial dos têxteis de alta tecnicidade para uma audiência de 600 empresários, e muitos jovens. Foi a iTechStyle, a primeira conferência Internacional realizada em Portugal, algo que se pretende repetir.

A VISÃO aproveitou e entrevistou Braz Costa, o diretor-geral do Citeve, um engenheiro mecânico que iniciou carreira na indústria automóvel, passou pelas tecnologias da informação, robótica e eletrônica, e acabou por deixar tudo para abraçar “os trapos”. O Citeve é uma associação de 650 empresas, que vive do que fatura e dos serviços que presta, sem qualquer outro financiamento. “Temos participado em projetos, muito interessantes, assentes numa relação de confiança, rigor e confidencialidade. Como trabalhamos com empresas que concorrem entre si, temos de ter um sistema à prova de bala para que não haja transvase de informação de umas empresas para as outras”, diz Braz Costa, também presidente da Associação dos Centros Tecnológicos Têxteis da Europa.

O que é isso dos têxteis técnicos de que tanto se fala?

Chama-se técnicos, ou de alta tecnicidade, aos têxteis aplicados noutras industrias: automóvel, aeronáutica, produção energética, etc. Mas no vestuário, também há têxteis de elevada tecnicidade: desporto, proteção individual, bombeiros, defesa... E há outras aplicações de menor dimensão, por exemplo na medicina (vestuário com fins terapêuticos) e um conjunto de dispositivos médicos que se faziam, até há muito pouco tempo, noutros materiais e, por uma questão de leveza, cada vez mais são feitos com materiais têxteis. Antes, um pé partido era protegido com gesso e hoje cada vez mais é substituído por materiais de base têxtil que lhe confere a mesma resistência com um peso menor. Exatamente como nos aviões e nos automóveis.

Qual a maior fatia em Portugal?

Os grandes negócios com têxteis de elevada tecnicidade são o desporto, a proteção individual e o automóvel. No automóvel tem havido um crescimento muito grande, nalguns casos com crescimentos estonteantes e fora de normal. Não são só estofos ou painéis, mas tabliers completos! E vai caminhar nesse sentido.

Fala-se muito na fibra de carbono...

Não só. A fibra de carbono tem uma resistência, de facto, muito elevada, mas é energeticamente muito dispendiosa. Há muita investigação (o Citeve está com projetos de grande dimensão), para conseguir o mesmo com fibras mais baratas. Temos, neste momento, várias linhas de investigação muito interessantes, liderando processos europeus, de desenvolvimento de fibras que se comportam como elementos eletrônicos ou para tratamento de superfícies e revestimentos com essas funções.

Isso é investigação portuguesa?

Nunca podemos dizer que a investigação é feita apenas num país, porque há cada vez mais interação. Temos celebrado acordos e projetos em parceria com universidades e centros tecnológicos europeus. Mas ao mesmo tempo temos vindo a fazer especialização em áreas que nos permite até estar à frente dessas referências europeias. Nunca podemos esquecer que a Alemanha é o segundo maior país têxtil da Europa! A ideia que passa é que a Alemanha não faz têxteis. É a maior mentira, pois tem uma atividade têxtil muito intensa.

E a China?

A China não pode ser mais encarada como um concorrente apenas nos têxteis básicos. É um país muito grande, com muita gente a estudar engenharia têxtil e, na investigação, a escala é muito importante. Debaixo do negócio de produtos de baixo custo, há um trabalho de anos da China para criar competências e liderar projetos de inovação. Conseguem ultrapassar a Europa? Depende do que andarem e nós não andarmos. Certo é que não poderemos, nunca, abrandar o passo. Porque perante concorrentes com o passo tão acelerado, seria andar para trás. Por isso temos uma obrigação e uma responsabilidade grande.

“A NECESSIDADE FOI O MAIOR INCENTIVO”

Sendo o têxtil uma indústria tradicional, antiga, está a conseguir fazer a viragem para esse grau de sofisticação?

Está, por necessidade. Na semana passada decorreu em Munique a maior feira de material para desporto, onde também figurava têxtil e vestuário. Havia mais expositores asiáticos que europeus. Associado há um concurso de inovação de materiais têxteis. E Portugal trouxe 16% dos prémios. Estamos muito bem conceituados nesta área e isso só nos pode encher de orgulho e determinação. Há 15 anos, isto não existia. É uma evolução recente, que resultou da necessidade

Só necessidade? Ou também a entrada de uma nova geração, mais qualificada?

Tudo contribui para encontrar novos mercados e novas formas de fazer negócio. Mas a necessidade foi o maior incentivo. As empresas sentiram-se obrigadas a procurar outras soluções, outro tipo de produto. Mas não podemos desacelerar, porque senão vamos ficar para trás, pois todos estão á procura do seu espaço e os países emergentes têm estratégias muito bem pensadas. Há países com políticas muito ativas para financiar investimento e a formação das empresas.

Isso é um problema em Portugal?

É. Nós não temos gente. A entrada de gente nova tem muita influência, não só na nova geração de empresários, mas também na nova geração de técnicos. Hoje chega-se ao mercado de trabalho com uma formação muito mais longa. Já não estamos a falar de um setor que recebia miúdas com o 6º ano de escolaridade. Estamos a falar de pessoas com um certo nível de formação, que chegue às empresas e sejam atrizes do movimento de evolução. Há vinte anos precisávamos de pessoas para repetir tarefas. Hoje essas pessoas não têm enquadramento no nosso setor. Porque aquilo que se faz hoje, amanhã vai ser diferente e no dia seguinte também. É preciso ter uma capacidade de entendimento dos mercados, da tecnologia, dos produtos e das tendências, para reagir e adaptar continuamente a maneira como se trabalha aquilo que o mercado pede.

“QUEM TRABALHA AO BALCÃO DE UMA LOJA GANHA MENOS”

Têm conseguido atrair pessoas da engenharia?

Esse é o grande problema. Ao contrário do que a realidade demonstra, a percepção que existe é que este é um setor chato, de baixo valor, de baixos salários, de trabalho monocórdico e repetitivo. Acontece que cada vez mais – e isto está a evoluir a passos muito largos – o setor precisa de pessoas completamente diferentes, com uma grande capacidade de aprender e de reproduzir o que aprende. Não temos jovens a quererem ser engenheiros têxteis. E mesmo os que fazem cursos de química, física ou mecânica hesitam muito em entrar neste setor.

Porquê?

Porque o setor tem má imagem.

Se calhar, porque os ordenados são baixos.

Isso não é mais verdade. É verdade que há pessoas a ganhar o ordenado mínimo, não há muitas, mas há. Só que a percentagem já não é assim tão elevada. Há setores mais sexy, onde a percentagem é muito maior.

Quais?

Os que trabalham ao balcão de uma loja, por exemplo. É muito fashion, muito giro, estar a vender roupa ao balcão, mas serão mais mal pagas do que as que trabalham na produção.
Mas há gente a ganhar o ordenado mínimo.

A média é baixa e a evolução do valor acrescentado (com menos empresas, menos pessoas, estamos a produzir e a exportar mais) não acompanha o crescimento do volume de negócios. A questão social é importante e o têxtil e vestuário salvam empregos em qualquer parte do mundo. Há países sem tradição têxtil a fazer fortes investimentos para a atração de empresas estrangeiras porque necessitam de criar emprego. No nosso caso, estamos preocupados em continuar a gerar e incorporar mais valor. Mas temos de aprender a vender melhor. Apesar de fazermos o desenvolvimento, as coleções, o design, tudo uma grande parte do valor acrescentado fica nas cadeias de distribuição ou nos intermediários que compram cá para venderem a quem distribui.

Como é que podemos alterar isso?

Da mesma maneira que modificamos os processos industriais e a parte da cadeia de valor em que atuamos. Tivemos a necessidade, mais uma vez, de desenvolvermos o produto completo para assegurar as grandes cadeias de distribuição. Hoje, somos nós que lhes propomos os modelos e lhes entregamos o produto acabado.

“FALTA-NOS VENDER POR MELHOR PREÇO”

Nos têxteis técnicos é exigido um nível de investimento muito superior ao resto do setor. Ou não?

Depende. Às vezes para produzir uma simples tshirt é preciso ter tecnologias muito avançadas.

E temos?

Claro. Temos um cluster completo. Nós temos empresas que fazem tecelagem, fiação, tricotagem, confecção e com muito boa capacidade nos acabamentos. E a confecção pode parecer tudo a mesma coisa, mas mudar de material pode ser um grande desafio. Trabalhar com materiais mais elásticos ou mais rígidos faz toda a diferença. Mais: há cada vez mais empresas chamadas a colaborar com os fabricantes de equipamentos. E isso significa a valorização.

O Citeve tem sido muito procurado?

O Citeve é o único centro tecnológico em Portugal. A Alemanha tem 16! Damos uma resposta eclética, desde as matérias primas até às tecnologias das lojas e dos pontos de venda. Temos tido a capacidade de perceber a mentalidade empresarial. A dificuldade em lidar diretamente com uma universidade tem a ver com uma abrupta diferença na forma de pensar o que se está a fazer. Compreender que as janelas de tempo numa empresa não são iguais às de um laboratório de investigação. O Citeve tem pegado em gente de mestrado e doutoramento, e tenta aculturá-los para que se sintam à vontade para lidar com o mindset industrial. E à cabeça de tudo estão os prazos. Este é um desafio, criar condições para ter os melhores, mas que estes entendam como funciona a indústria.

Em jeito de balanço, falta-nos...

Falta-nos conseguir vender por melhor preço. Este é mesmo um desafio. Não sei se tem ideia, mas normalmente uma peça chega à loja no mínimo quatro vezes mais cara do que saiu da fábrica. No mínimo! Outras são colocadas à venda por um preço dez vezes superior.

Mas se sair da fábrica com um preço mais alto não vai chegar à loja ainda mais caro?

Certo, mas se há gente para comprar por um preço ainda mais alto significa que esse valor acrescentado poderia ter uma percentagem mais interessante para nós, portugueses. Este é que é o desafio.

“PORTUGAL FEZ UMA GRANDE APOSTA EM CIÊNCIA, MAS ESQUECEU-SE DA TECNOLOGIA”

Em termos de políticas públicas o que nos falta?

Havia um deficiente apoio ao desenvolvimento de tecnologia industrial, mais próximo das empresas. Portugal fez um caminho invejável nas últimas duas décadas, de valorização e financiamento da ciência. Temos hoje centros excelentes de investigação, que encontraram formulas de terem a sua atividade financiada pelo Estado. Mas o Estado nunca teve um programa para financiar a atividade de quem se coloca mais perto das empresas. Sabemos, no entanto, que mais lá para o fim do mês será anunciada uma nova família de políticas públicas orientadas para as interfaces [entre universidades e empresas]. Portugal fez uma grande aposta em ciência e esqueceu-se de fazer uma aposta em tecnologia. E agora percebeu que uma coisa sem a outra levou a uma situação estranha: temos um sistema cientifico de grande valor, sem que o resultado chegue às empresas.

O que vai mudar?

Vai haver um programa diferente que incorpora toda a ciência e toda a tecnologia num sistema de inovação, em paridade, assumindo que as diferenças são as complementaridades que nos interessam. Cada um tem a sua missão. As universidades têm um papel muito importante, mas não são as organizações certas para implementar tecnologia nas empresas. Não são, porque os investigadores são professores.

Quais são as certas?

Os centros tecnológicos e de engenharia e os investigadores de novas tecnologias.

“É UMA MISSÃO PÚBLICA FINANCIAR TUDO O QUE É PRÉCOMPETITIVO”.

E onde se deve apostar?

Espero que esta nova política seja muito exigente e que essa exigência vá ao nível da avaliação concreta dos resultados. O governo, como representante dos cidadãos, tem de garantir que o dinheiro está a ser bem gasto. Temos todo o interesse nisso e quanto maior for a exigência melhor para nós. É uma missão pública financiar tudo o que é pré-competitivo. As empresas não podem transferir tecnologia do nada. Têm de a transferir a partir do sitio onde ela exista. E não pode ser aquela que já está disponível em todos os países, nomeadamente na China. Isso não nos dá nenhuma vantagem comparativa. Temos de apostar nas nossas linhas de investigação para, em antecipação, conseguir pôr coisas no mercado e daí retirar valor acrescentado.

Ainda temos fracos gestores?

Teremos alguns. Mas certamente temos hoje muito melhores gestores do que antes. Há uma geração com uma cultura e uma propensão industrial que a anterior não teve. Há uma geração de 35, 40 anos, que está a chegar ao topo das empresas, e que, por incrível que pareça, recuperam o entusiasmo dos seus avós, que, nalguns casos, sofreram para criar verdadeiros impérios. E é importante, porque são pessoas que têm muito mundo...

Nervo e ambição?

E gosto. E isso vai motivar aqueles que, não sendo donos, empurram o negócio. Quem lida com os clientes são pessoas muito jovens. Antes, quando vinha um comprador, era sempre recebido pelo dono ou presidente da empresa, havia sempre um programa social, com umas almoçaradas. O mundo já não é assim. Agora vêm pessoas com piercings e cabelo azul para decidir as compras. As empresas têm de ter também do lado de cá quem entenda este mundo, quem melhor interprete o consumo e as tendências.

Fonte: Visão


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017



Visita de delegação do Consulado dos EUA anima gestores do Moda Center Santa Cruz e da Rota do Mar

Allan Carneiro, síndico do Moda Center com o Cônsul Richard Reiter
O cônsul-geral dos Estados Unidos em Recife, Richard Reiter, viajou para Santa Cruz do Capibaribe na tarde desta terça-feira (14) especialmente para conhecer dois dos grandes marcos do polo têxtil de Pernambuco: o Moda Center Santa Cruz, maior centro atacadista de confecções do país, e a Rota do Mar, considerada uma das principais grifes e indústrias do ramo no Norte e Nordeste brasileiro. A expectativa do empresariado é que a visita viabilize oportunidades de negócios do arranjo produtivo local com parceiros norte-americanos.

Cônsul dos EUA em Recife, Richard Reiter
“Todos estávamos muito interessados em ver como é a produção daqui. Nós não tínhamos ideia da criatividade e do nível de especialização do produto final. Eu viajo muito pelas capitais e pelo interior para conversar com os prefeitos e gerentes de grandes empresas e estou impressionado com a qualidade do trabalho e dos projetos que encontrei em Santa Cruz do Capibaribe. Queremos estreitar os laços diplomáticos comerciais, pois percebemos poucas exportações para os Estados Unidos desse mercado muito importante da região”, comentou Richard Reiter.

Segundo o síndico do Moda Center Santa Cruz, Allan Carneiro, a visita foi imprescindível para os representantes estadunidenses perceberem as possibilidades de interlocução e comércio com o polo. “Eles ficaram surpresos com o que apresentamos tanto em termos de estrutura como diversidade e qualidade de mercadorias. "Temos certeza que a comitiva saiu da ‘agenda’ com um entendimento diferente, superior, sobre o que produzimos, um posicionamento que se torna comum a quem conhece o trabalho desenvolvido na região”, afirmou.




Durante a conversa, Carneiro destacou a utilização de peças e equipamentos de origem americana no polo têxtil. “Muitos insumos fabricados nos Estados Unidos são adquiridos por nós em São Paulo, por exemplo, então o pessoal não identificava que já consumimos itens deles. Também ressaltamos que haveria condições de um hotel de bandeira americana ser instalado na região. Seria interessante para investidores e para a área, que carece de leitos”, enfatizou

Arnaldo Xavier com o Cônsul Richard Reiter
Para Arnaldo Xavier e Marta Ramos, fundadores e presidentes da Rota do Mar, apesar de ser apenas um primeiro contato, a visita empolgou. “Apresentamos a nossa mega loja no Rota do Mar Complex e uma parte do parque fabril, que destaca-se por reunir um maquinário completo e dos mais modernos do país, com ampla capacidade produtiva e valorizando os profissionais, a mão de obra local e a qualidade de todas as peças que levam a nossa marca”, ressaltou Arnaldo.

O cônsul não economizou elogios à companhia “Dá para ver que uma empresa como a Rota do Mar, que achei super impressionante à nível de modernidade, tecnologia e compromisso, tem grande chance de sucesso nos Estados Unidos”, comentou Richard Reiter. Ele disse já conhecer a marca de surfe, casual e street wear e esportes de aventura. “Não tinha visitado a fábrica. Deu para conhecer as pessoas, ver que todo mundo é trabalhador e comprometido com o projeto. E vi o carinho com que os produtos são feitos”, acrescentou.


Arnaldo Xavier comentou o interesse de exportar de forma sistemática para os Estados Unidos. Como dificultantes apontou a oscilação cambial e a necessidade de aprender ainda mais a respeito do mercado norte-americano. O desconhecimento sobre a sistemática de negócios do seu país também foi indicado pela cônsul para Assuntos Políticos e Econômicos, Paloma Hernandez, como um entrave para as exportações. Ela avaliou a visita de forma positiva. “Estou levando um conhecimento do nível de profissionalismo que existe em Santa Cruz do Capibaribe e a potencialidade para captar esse profissionalismo na área de confecções”, completou.


A presença da delegação em Santa Cruz do Capibaribe foi articulada pelo deputado Diogo Moraes. A iniciativa contou com o reforço do prefeito da cidade, Edson Vieira, que esteve acompanhado da primeira-dama, Alessandra Vieira, nas atividades

Sobre o Moda Center Santa Cruz – Referência nacional no setor, é o maior centro atacadista de confecções do Brasil, reunindo mais de 10 mil pontos comerciais, entre lojas e boxes. O empreendimento oferece um mix de produtos variados, com destaque para roupas e acessórios, comercializados especialmente em grande escala. Nas segundas e terças, ocorrem as chamadas feiras, quando todas as unidades de venda estão funcionando. Na alta temporada, chega a receber uma média semanal de 150 mil clientes vindos de todo o país, com predominância dos estados do Norte e Nordeste e crescimento dos oriundos do Centro-Oeste e Sudeste.

O parque disponibiliza seis praças de alimentação, estacionamento gratuito para 6,5 mil veículos e rede própria de hotéis e dormitórios com cerca de dois mil leitos. O local ainda conta com posto ambulatorial, caixas eletrônicos, banheiros, fraldários, carrinhos de compras, sistema de som e TV e circuito interno de segurança.

Sobre a Rota do Mar – Está sediada em Santa Cruz do Capibaribe, onde funcionam quatro das suas sete unidades fabris - as demais ficam em Brejo da Madre de Deus e, duas, em Santa Maria do Cambucá. Em 20 anos de existência, consolidou-se entre as maiores indústrias do setor têxtil no país, figurando entre as melhores empresas para se trabalhar em várias edições do Instituto Great Place to Work. A companhia tem aproximadamente 900 funcionários distribuídos entre as fábricas e cinco lojas próprias no Agreste do estado: duas em Caruaru, uma em Toritama e duas no município-sede, onde também está o seu showroom.

Itens da marca estão presentes em todo o território nacional por meio de uma rede interligada de representantes. As suas criações são produzidas com tecnologia de ponta e pessoal qualificado. Entre as marcas da companhia estão a inovação, a incorporação de novas tecnologias, a busca da eficiência na gestão dos negócios, a competitividade e a valorização dos recursos humanos.

Fotos: Lima Junior e Jeferson Lulu


sábado, 11 de fevereiro de 2017

Produção industrial cresce em 10 de 14 locais pesquisados

Imagem de Arquivo/Agência Brasil

Números do IBGE reforçam a ideia de um cenário mais positivo para a indústria em 2017
Dezembro foi um mês positivo para a produção industrial no País. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maioria dos estados ficou no azul e o setor passou a dar sinais de que está cada vez mais próximo de uma recuperação.

pesquisa regional, que faz uma radiografia da indústria brasileira, mostrou que de 14 locais pesquisados pelo IBGE, dez apresentaram aumento da produção frente a novembro. Com esse desempenho, a produção industrial no Brasil avançou 2,3% no período.

Para o trabalhador do setor, os números são uma boa notícia depois de a produção industrial ficar em baixa no ano passado. Quanto mais a produção crescer, maior é a confiança dos empresários de que a economia está bem. Com isso, as fábricas ficam mais próximas de tirar projetos da gaveta e de aumentar o número de contratações.

Previsões para a indústria

Entre os economistas que fazem previsões para os diversos setores da economia, os números do IBGE reforçam a ideia de um cenário mais positivo para a indústria em 2017. As apostas, até agora, são de que a produção deve crescer 1% neste ano.

O local com o melhor desempenho nessa pesquisa foi o Ceará, com alta de 12,4% na produção industrial. A lista dos avanços mais expressivos segue com Rio Grande do Sul (+6,3%), Espírito Santo (+5,1%) e Santa Catarina (+3,6%).

Também ficaram no azul Pernambuco (0,6%), Bahia (1,4%), Minas Gerais (2,3%), Paraná (0,8%) e Goiás (1,4%). A Região Nordeste, na média, cresceu 4,9% na passagem de novembro para dezembro.

Fonte: Portal Brasil