quarta-feira, 12 de abril de 2017

O futuro da moda irá unir tecnologia e sustentabilidade

Na moda de hoje estão as pistas para entender o que deve acontecer nos próximos anos.


O interesse da moda pelo futuro é muito antigo. Filmes das décadas de 1920 e 30, nos primórdios do cinema, mostram um estranho desfile de ideias sobre como as pessoas se vestiriam nos anos 2000. Gadgets e roupas inteligentes já estão no repertório dessas produções, assim como looks estelares e minimal. A questão continua aberta, mas a resposta agora parece extrapolar os limites do design e da função dos objetos e obedecer a uma série de códigos cada vez mais complexos. Apesar de a curiosidade sobre o amanhã intrigar mentes criativas desde que o tempo passou a ser entendido como algo que pode ser projetado e imaginado, foi na década de 1960 que a moda realmente se apropriou disso e transformou em roupa uma série de visões futuristas. Foi o reinado de Pierre Cardin e Courrèges.

Os trajes minimalistas e com referências ao cosmo eram uma mistura do desejo por um design simplificado, muito marcante na época e sinônimo de modernidade, e das possibilidades e novas fronteiras trazidas pelas grandes potências mundiais e sua corrida pela conquista do espaço. As viagens tripuladas e a chegada do homem à Lua, cercada de euforia e espanto, abriram o caminho para uma onda de interesse não só pelo caminho das estrelas mas também pela cara que a sociedade teria quando morássemos em cidades ultratecnológicas.

O minimalismo e o futurismo sessentistas, aliás, continuam sendo em grande parte nossa referência estética de futuro. Da saga Star Wars ao 2001 de Kubrick, chegando ao hype da série Black Mirror, tudo explora o contraste de branco e preto, linhas simples, tons pastel e poucos enfeites. Nas produções de cinema e TV, o visual minimal clássico de certa maneira aponta para um mundo com recursos, mesmo que em guerra permanente ou eticamente falido. No comentadíssimo episódio de estreia da terceira temporada de BM, Bryce Dallas Howard interpreta uma neurótica em busca de popularidade num mundo em que o status social das pessoas, e suas conquistas, é totalmente determinado pelas notas que elas recebem numa rede social opressora, que conecta absolutamente todas as pessoas. Perversos, frustrados e doentios, os personagens usam roupas claras, impecáveis e de cortes limpos, assim como no 1984 de Orwell. São diferentes visões de uma espécie de uniforme.

O FIM DO MUNDO COMO O CONHECEMOS

Até mesmo em O Planeta dos Macacos original, de 1968, o figurino segue a linha minimal para os líderes e maltrapilho para os escravos. Os humanos não estão mais no poder, mas os símios assumiram o posto e podem se dar uma série de luxos, inclusive o de preferir roupas sofisticadas e elegantes.

A evolução dessa ideia nos leva às visões mais catastróficas do futuro. De novo graças ao cinema, outra linguagem visual começa a tomar conta dos olhares mais atentos. Com os anos 1970 avançando, as grandes utopias desmoronando e o cidadão comum passando a se dar conta e ser informado sobre questões ligadas à natureza, a percepção de que o futuro poderia ser um grande deserto passou a figurar entre as mais fortes imagens relacionadas a esse tópico.

Filmes como Mad Max ajudaram a moldar o look fashionista do caos, com seus modelos rasgados, desabados ou então com volumes desproporcionais endurecidos e estranhos. Não por acaso, algo semelhante ocorria na moda. As escolas japonista e belga de design têm ligação direta com esse tipo de estética, da assimetria, do estranhamento e da dificuldade de comunicação.

Rei Kawakubo, Ann Demeleumeester, Yohji Yamamoto, Martin Margiela e tantos outros ajudaram a consolidar essa imagem futurista, que, mesmo diferente e focada no estudo do desencontro, da impossibilidade, também é minimalista à sua maneira. É um minimalismo teatral, dramático, exagerado. Para ser mais exata, é paradoxalmente um minimalismo maximalista, um minimalismo levado às últimas consequências. De certa forma, ele reflete perfeitamente um cenário extremo, em que a tragédia é imensa e cada recurso restante tem de ser usado até o seu limite. Tanto literalmente (falta de água, superaquecimento etc.) quanto metaforicamente, no sentido de valores humanos que precisam ser resgatados e destacados.

ALGORITMO FASHION

Foi graças a belgas e japoneses que a moda deu um grande salto no escuro de um futuro abismal, que ela foi além das gerações anteriores e olhou mais de frente questões como a morte, a inteligência artificial e o X-corpo, o corpo mutante. Essa revolução tem um nome: Alexander McQueen.

O mais brilhante dos pessimistas e sua mítica Atlântida de Platão, primeiro desfile da história transmitido ao vivo e que teve como imagem mais forte os impossíveis sapatos Armadillo, feitos para pés não humanos, ou para a musa mama-monster da coleção, lady Gaga. Antes disso, o designer britânico já havia questionado em desfiles que podem ser chamados de obras de arte os limites da sanidade, da vaidade, da carne e da presença. O holograma de Kate Moss mostrado na coleção inverno 2006/07, as roupas pintadas por máquinas durante o show da primavera 1999, as mulheres plastificadas até a deformação no inverno 2009 – a lista de ousadias do designer é longa e oferece uma leitura riquíssima.

McQueen tem momentos minimal. Porém é, em geral, máxi. Muitos detalhes, recursos, bordados e texturas compõem a narrativa de suas roupas e apresentações. É um futuro em que o mundo não foi devastado nem deu muito certo, de grandes inovações e atrasos monumentais. É um futuro sempre próximo, mapeado de perto e, por isso, sempre parecido com o presente, embora com gadgets e tecnologia mais avançados e com roupas cada vez mais luxuosas.

Com a morte de McQueen, iconicamente enforcado em seu guarda-roupa, a moda entrou numa fase de códigos cada vez mais complicados e difusos. Talvez ele tenha ido longe demais como hacker de trends, e o sistema fashion, sentindo- -se muito exposto, tenha encontrado sua defesa se escondendo numa espécie de algoritmo complexo.

É claro que sempre podemos falar de Iris Van Herpen e de Hussein Chalayan, com suas técnicas extraordinárias, seu domínio da wearable technology, sua sofisticação em termos do que as novidades criadas pelo homem estão mudando em nossa maneira de vestir. Mas eles estão bem longe de ser os estilistas mais influentes de nosso tempo. E isso já dá uma pista de que eles não estão, de fato, captando e dando forma ao lado mais humano de nossa atual visão de futuro. No fundo é um pouco como olhar para as estrelas: a luz que se enxerga nelas é na verdade um reflexo do passado, vem de estrelas mortas há milhares e milhares de anos.

Há mais novidade, por exemplo, na roupa antiguinha de Alessandro Michele para a Gucci. Ela diz mais sobre o futuro segundo o que pensam os millenials, por exemplo. Um futurismo nostálgico, que só vê vantagem em retomar as glórias de um passado aristocrata, como se os “antigos valores” fossem restaurar a fé no mundo. O futuro do pretérito, novos castelos de uma geração de princesinhas e príncipes moderninhos, fascinados pela herança (inclusive fashion) da vovó.

Não à toa, essa é a moda mais desejada do período em que o mundo alcançou seu patamar mais alto de concentração de renda nas mãos de menos de 1% da população mundial.

De outro lado, mas no mesmo barco, o mundo da não-ostentação caríssima de Demna Gvasalia e sua galera completa o quadro. Quanto mais rua, melhor, desde que com itens com preço de alto luxo. Não é um pauperismo como o proposto pela escola japonista, mas um “vidalokismo” de butique, na vibe de quando a cena punk chegou às passarelas. “No future for you”, diziam os Sex Pistols. Mas enquanto Sid Vicious morria de overdose, pouco tempo depois, Johnny Rotten virava um esquisitinho cool com o seu novo grupo, o PIL (sigla de Public Image Ltd.). Sintomaticamente, quando isso aconteceu, ele se livrou das tachas e dos alfinetes e recorreu a um look meio minimal desconstruído

DAQUI PARA A FRENTE

Os millenials aos poucos ficam para trás e as gerações Z e A entram em cena. De seu gosto pela vida do dia a dia, pela rotina mais comum vista via InstaStories e Snapchat, começam a sair os novos códigos. E eles são cada vez mais nichados e específicos.

A programação do novo futuro fashion tem a ver com a tecnologia, mas não para nas novidades dos laboratórios. Ela está focada na diversidade e na recriação dos afetos, em como as pessoas vão se reaproximar fisicamente através do virtual, em como evitar extremos e encontrar algo que, apesar de único e baseado na experiência individual, também seja dotado de espírito coletivo. Todo o papo sobre diversidade e inclusão será colocado à prova e terá de mostrar sua verdade, muito além do marketing.

O look esportivo sai na frente nessa onda porque há tempos conversa com o sem gênero e com o design mais acessível e com personalidade. As novidades devem vir de novas injeções de criatividade sobre esses conceitos. A nova moda será a do avanço de robôs, mas também a da reconstrução do humano. O novo grande fashion designer dessa moda ainda está por vir. Talvez seja um coletivo ou milhões de indivíduos sem um nome nos letreiros (uma grife com coleções ultrapersonalizadas, com lançamentos “assinados” à distância por seus consumidores, por exemplo).

No final, o que interessa é se a nova onda da moda vai mais uma vez adaptar as roupas às regras sociais do status ou se, como em raros momentos, finalmente trabalhará, longe do oba-oba e da correria que não sai do lugar, por uma mudança genuína.

Fonte: Elle Abril


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Descomplique o seu armário: O que manter, jogar ou doa


Sabia que 85% das pessoas mantém roupas que não usam mais? Tendemos a acumular peças de roupa seja por valor sentimental, por achar que vão voltar a servir no futuro ou para aquela ocasião especial que nunca chega. No entanto, é possível descomplicar o armário e dar uma vida nova às roupas acumuladas.

Confira abaixo o infográfico do blog Sernaiotto que ilustra um ciclo inteligente que ajuda a determinar o que deve ser doado, mantido ou jogado fora, tudo em prol do consumo consciente das nossas roupas.


Organize um bazar de trocas entre amigas

Aquelas roupas que não servem mais para você – mas que suas amigas viviam pedindo emprestadas – podem virar moedas de troca num bazar entre amigas. Além de ser um momento divertido para compartilhar memórias, suas roupas vão ganhar vida nova junto às pessoas que você tanto curte.

Desapegue dos itens que não usa mais num brechó online

As roupas que estiverem em boas condições de uso podem ser vendidas em brechós online, como o próprio Trocaria – e essa é uma das novidades que a gente vai anunciar oficialmente em breve! ;)

Além de evitar que elas acabem no lixo ou permaneçam paradas para sempre no armário, você estenderá o uso das suas peças e ainda poderá recuperar parte do dindin investido naqueles looks que tanto arrasaram no passado, mas não tem mais vez na sua vida.

Use essas dicas quando for fazer a próxima limpeza no seu armário, e você vai se surpreender com o tanto de peças que nem lembrava mais que possuía. Essa é uma boa dica para praticar o desapego começando pelo seu guarda-roupas. Vamos tentar? ;)

Fonte: Blog Trocaria

quinta-feira, 16 de março de 2017

Onde Costurar a Etiqueta

Constata-se que a indústria da confecção não escolhe a maneira correta onde fixar a etiqueta, na medida em que na grande maioria das vezes, essas incomodam o usuário, seja pinicando o corpo, ou raspando na pele devido a costura ser com linha sintética.

Muitas confecções possuem duas ou mais etiquetas costuradas uma sobre a outra.      

O Inmetro obriga a fixação da etiqueta de forma que resistam ao uso até o fim do aproveitamento da confecção, o que vem a acarretar esses incômodos.
Ocorre que o local da escolha dessa fixação, assim como a linha com qual é costurada acarretam desconforto ao usuário, que se obriga a retirá-la muitas vezes antes de ser utilizada.  
      
Nada pior do que ter uma etiqueta raspando no pescoço ou nas costelas.
Uma dica seria fixar a etiqueta de forma que o consumidor possa de imediato retirá-la sem que venha a danificar a costura.

A imposição do Inmetro determina que a etiqueta deva ser bem fixada na confecção, mas não impõe que não possa ser retirada pelo consumidor.

No meu entender, uma parcela ínfima dos consumidores lê o que está escrito na etiqueta, servindo apenas como mais uma fonte de arrecadação em multas, para quem não segue à risca a legislação metrológica.

Eu retiro todas as etiquetas de minhas confecções.

Fonte: Textile Industry


terça-feira, 7 de março de 2017

Como o Banco de Tecido ganha dinheiro e preserva o meio ambiente eliminando o desperdício na cadeia têxtil

(foto: Tiago Drummond)

Criado por Luciana Bueno, o negócio começou para ajudar modelistas que precisavam de variedade de tecidos em pequena escala. Agora, se prepara para atender demandas de grandes empresas.

Quando decidiu mudar seu escritório de endereço, depois de 25 anos de carreira, a cenógrafa e figurinista Luciana Bueno, 47, se viu com nada menos que 500 quilos de tecido, acumulados ao longo do tempo. O imóvel na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, recém-comprado para abrigar seu ateliê e escritório tornou-se essa espécie de depósito comunitário. Ali, ela teve a ideia de ajudar quem precisasse desse material, oferecendo um espaço de troca entre amigos e profissionais do ramo das artes.

No início, era apenas um jeito de dar uma boa utilidade a metros e metros que haviam sobrado de produções passadas. Logo Luciana percebeu que não era um problema só de quem trabalha com arte e a inconformidade com o desperdício atingia mais gente. Hoje, a ideia cresceu, ganhou nova dimensão e contorno, e ela tornou-se a sócia-fundadora de um negócio social chamado Banco de Tecido, cuja proposta é tão simples quanto inédita: fechar o ciclo entre quem precisa de pequenas metragens de tecidos e quem tem esses cortes sobrando e não vai mais utilizá-los.

Funciona assim: quem se interessa leva o tecido que tem sobrando ao Banco. O material é separado, higienizado e pesado. Depois, convertido em créditos: 10 kg de tecido depositado equivalem a 7,5 kg em créditos que podem ser retirados quando a pessoa quiser, sem prazo para expirar. Esses 25% restantes ficam como comissão do Banco, necessária para gerir o negócio. “O banco é um sistema de circulação de tecido de reúso. Essa é a definição da proposta de valor”, diz Luciana.

Aqueles que precisam retirar mais do que depositaram – ou simplesmente querem comprar sem ter material de troca — podem pagar a diferença, ao preço de 45 reais por quilo. O valor estabelecido é um pouco abaixo da média do mercado. A fundadora fala a respeito dessa escolha:

“O acesso ao material faz parte da sustentabilidade. As coisas têm que ter um valor justo. Se você dificulta o acesso, deixa de gerar abundância e passa a gerar escassez”

De 2012, quando teve a ideia, até janeiro de 2015, quando abriu a loja, passaram-se quase três anos, em que o projeto foi tomando forma, sempre atento a sugestões dos usuários que apareciam com novas demandas. “O Banco de Tecido nasceu da necessidade de um profissional 100% novo”, diz Luciana. Durante mais de um ano, funcionou apenas no boca a boca, totalmente na base de trocas.

Um único “correntista” depositou de uma vez só 20 rolos de tecido no Banco. 75% se tornam créditos de troca, 25% ficam de comissão.

Em 2014, ela percebeu que precisava organizar melhor sua rotina e desacelerar: foi quando fez um registro de marca e, com isso, veio o plano de negócio. Luciana recebeu orientação do Sebrae e contava com a ajuda de uma amiga, sócia na época. A troca de ideias rendeu, por exemplo, os conceitos de algo que já existia, mas que não tinha recebido o devido nome: Economia Criativa e Economia Circular.

Foi aí, em 2015, que a empresa contratou a primeira funcionária, Andressa Burgos, que atende os correntistas do banco. Hoje o Banco tem 1,5 tonelada de tecido no estoque e 250 correntistas cadastrados, entre costureiras, artesãs, pequenas marcas e estudantes de Moda e Artes. Marcas médias que investem na sustentabilidade também fazem parte da cartela de clientes, como a Insecta Shoes, a Panacéia e a marca Flávia Aranha.

Se em Janeiro de 2015 o faturamento do Banco de 600 reais por mês, em setembro deste ano chegou a 6 mil reais, atingindo o break even em fevereiro. Uma escalada ascendente que gera recursos reinvestidos no próprio negócio. Os únicos investimentos feitos, foram se pagando: anúncios em veículos locais, fotos, criação do site, que somaram cerca de 10 mil reais. No começo, não foram necessários outros aportes porque a estrutura era toda do escritório de Luciana, o Lupa.

Hoje, as contas são separadas e a comunicação, no entender da fundadora, ainda é a principal fortaleza do negócio: os mais de 8 mil fãs do Facebook, por exemplo, são o que fazem o negócio continuar girando enquanto a empresa se prepara para o seguinte passo.

À MARGEM DA VELHA INDÚSTRIA, À FRENTE DA NOVA ECONOMIA

A forma de produção das tecelagens hoje em dia, conta Luciana, obriga donos de confecção a comprar muito mais material do que precisam, pois existe uma quantidade mínima para venda. As marcas cedem, pois precisam de certa exclusividade do material. Isso faz com que toneladas de tecidos sejam desperdiçadas e os gastos com as sobras sejam embutidos no valor final. O resultado são preços inviáveis em produtos de marcas de médio porte no Brasil. Luciana fala:

“O modelo de negócio industrial que existe hoje só é viável para muito poucos. Por muito tempo, ele foi apresentado como se fosse o único, mas não é”
Ela prossegue: “O mundo está revendo todos os seus modelos de negócio, de cabo a rabo. E agora a bola da vez é a moda”. O Banco trabalha basicamente com sobras de confecções e ateliês. Nesse meio, é importante diferenciar sobra de resíduo. Luciana não trabalha com resíduo (ou seja, tudo aquilo que não gera mais costura), mas aceita retalhos, cortes (a partir de 1,20 metro) e sobras de roupa (acima de 10 metros).

A maioria dos “correntistas” que procuram o Banco já têm essa nova visão de cadeia da moda: muita gente de upcycling, há quem venda peças únicas, pessoas que só comercializam via Instagram. Para se ter uma dimensão da quantidade de material disponível, apenas um ateliê na Vila Madalena depositou, de uma só vez, 20 rolos de tecido.
A idéia é que, no futuro próximo, o Banco de Tecidos torne-se uma plataforma online — eliminando a necessidade do estoque físico, como há hoje. Com isso, o estoque não será feito pelo banco, e cada pessoa divulga a quantidade de material que tem sobrando. Isso permitirá, por exemplo, atender a demandas maiores, de grandes empresas, e inclusive demandas internacionais. “Estamos sempre abertos às necessidades do usuário”, conta Luciana, que vê este um ano e meio como um período de validação, com reajustes de rota sempre que necessário.

Atualmente, a empresa passa por duas acelerações: da Apex-Brasil e ICV Global, com finalidade de internacionalização, em meio a 40 empresas sustentáveis do Brasil, e na aceleração da Social Good, que incentiva soluções digitais para iniciativas sociais. O Banco de Tecidos foi eleito uma das 10 empresas mais inovadoras na área têxtil segundo a C&A Foundation e a Ashoka, dentre iniciativas de 55 países. Junto com Alinha e o Retalhar, foi uma das três iniciativas brasileiras premiadas em uma conferência na Dinamarca de 300 projetos inscritos no mundo. É também um dos 12 selecionados para o Guia de Sustentabilidade da Faculdade Getúlio Vargas.

O modelo de negócio é, aliás, um grande destaque no meio de sustentabilidade. “Muita gente chegou até o Banco no ano passado e aí que eu entendi que as pessoas estão mesmo procurando isso. Há uma rede de pessoas muito preocupadas, na moda, e que têm voz agora por conta, por exemplo, do escândalo que foi o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, onde funcionavam fábricas de roupas fast fashion. Depois daquilo, tudo mudou. Pessoas que estavam quietinhas, achando aquilo tudo um absurdo, ganharam voz. Então essa rede começou a vir à tona”, conta ela.

COMO É QUEBRAR PARADIGMAS AOS 47 ANOS

Luciana conta que quando chegava aos eventos de aceleração ou encontros de startups achava que ia ser a mais velha da turma. Engano seu. No hackaton focado em sustentabilidade realizado pela Fiesp, no ano passado, encontrou gente de todas as idades e um ambiente de trocas rico, que a seu ver foi a melhor surpresa. Ela tinha uma proposta, mas não tinha um grupo de trabalho. Encontrou o que precisava: um grupo de jovens da Ticket, sem um projeto. Saiu de lá com o protótipo da plataforma para o Banco de Tecidos e com orçamento feito. O desafio agora era conseguir montar uma equipe e dinheiro para botar em funcionamento.

De cenógrafa a empreendedora social, Luciana mira o futuro. 
Luciana gosta de falar, é boa comunicadora. Tanto que consegue associar os conceitos de empreendedorismo às técnicas do teatro: “Muitas coisas que hoje em dia se aprende nas faculdades, a gente já usava no teatro. Canvas, Jornada do Herói. A gente fazia isso direto na produção”. Formada em design gráfico pela FAAP, ela trabalhava com produção de eventos desde jovem, junto com a tia publicitária. Aos 27, assumiu a cenografia como profissão, fez MTV, teatro, comerciais, séries, musicais. Trabalhou com grandes nomes do teatro, como Antunes Filho, J.C. Serroni, Gerald Thomas.

O negócio social que tem hoje, nascido da evolução de uma iniciativa despretensiosa, veio como um resgate num momento de crise nos meios em que ela atuava. “Estávamos terminando uma peça em cima de um livro do Milton Santos, sobre globalização e neoliberalismo. Saí desses oito meses de processo deprimida. Sentei com uns amigos, todos na casa dos 40 anos, pensando que o mundo ia afundar, que não tinha saída. Mas a última frase era otimista! Dizia que não tinha como ficar pior, as coisas iam melhorar. Logo depois, começaram todas as manifestações da era digital. Isso foi há sete anos”, conta, e prossegue:
“Hoje, entendo e vejo que há lugar para todo mundo no mercado. Há dez anos não dava para ver esse lugar”

Ela continua se dedicando, ainda que bem menos, à produção cenográfica, mas divide as 24 horas do dia com aulas de Direção de Arte na Academia Internacional de Cinema, com os dois filhos gêmeos de 10 anos, e, claro, com o Banco de Tecido, ao qual dedica 50% do tempo. Isso dá cerca de 16 horas de trabalho por dia, sobra pouco tempo para dormir, mas ela está onde queria. “Não sei se teria andando tanto com o Banco se ele não tivesse sido tão reconhecido. Acredito nele, mas também porque as pessoas acreditam”, afirma.

Hoje, ela conta com a parceria de Mateus Piveta, que faz o marketing, e duas amigas, Luciana Arruda e Marcella Starling, de um escritório de advocacia, que cuidam dos contratos jurídicos e direitos de imagem. A intenção é que eles se tornem sócios efetivos e, juntos, façam o projeto crescer.

O DILEMA DE CRESCER OU CRESCER

A demanda de grandes empresas existe, mas o Banco ainda não tem estrutura para atendê-las — é nisso que estão trabalhando. Usam as métricas e o conhecimento fornecido pelos programas de aceleração para, até maio do ano que vem, se estruturarem para entender o tamanho do desafio e poderem, a partir disso, buscar investimento. Em paralelo, já existem 12 pedidos de abertura de lojas do Banco de Tecido pelo Brasil, acumulados desde 2015.

“Ou estruturo e coloco mais dinheiro para o negócio crescer, ou ele está dando mais trabalho do que retorno e não vai valer mais a pena”, diz Luciana. “Tenho dúvidas se é um investimento bancário a melhor modalidade para nós. Ao mesmo tempo, existem vários tipos hoje: Mas quando falamos sobre isso, vimos que o negócio não estava estruturado sequer para receber esse dinheiro.” Ela conta que, em 2017, quer efetivamente começar a buscar recursos externos. “Não sei qual a melhor forma de investimento para o projeto. Na minha cabeça, seria uma junção de várias, para cada área do negócio”, diz. Tipo um banco de retalhos? Talvez. Por que não?

DRAFT CARD

Projeto: Banco de Tecido

O que faz: troca e comercialização de tecido de reuso

Sócio(s): Luciana Bueno

Funcionários: 4 (incluindo a sócia)

Sede: São Paulo

Início das atividades: 2014

Investimento inicial: R$ 10.000

Faturamento: R$ 5.000 mensais em média

Contato: bancodetecido@lupa.art.br e (11) 4371-3283


Fonte: Projeto Draft

segunda-feira, 6 de março de 2017



6 calças de academia para usar o dia inteiro


Nesse ritmo fitness que está cada vez mais presente nas nossas vidas, nos preocupamos com alimentação saudável, em praticar exercícios diários e etc. E muitas vezes não conseguimos ir para a academia ou para o nosso treino, e depois nos arrumarmos novamente para a faculdade ou para o trabalho, tudo é tão corrido! Assim, acabamos optando por looks mais práticos, onde conseguimos reaproveitar uma ou mais peças do look da academia, para o look da reunião com o chefe, não é?

Temos que admitir que essa missão não é muito fácil! Como ficar elegante com peças mais sport? Por isso selecionamos várias inspirações pra você que se vê nesse sufoco todos os dias! Vem que a gente te mostra como sair da academia, mas a academia não sair de você!

LEGGING BRANCA

Essa é uma peça clássica que a gente vem desfilando por aí já há bastante tempo... Hoje trouxemos exemplos de como usar essa peça de forma elegante.


LEGGING METALIZADA

Se tem uma tendência que veio para ficar, ela é a dos metalizados! E nós, particularmente, adoramos! Super versátil e com uma pegada mais sexy e despojada, dá para usar em várias ocasiões! 

SHORT GYM

Pros dias mais quentes uma boa opção é um short com cara mais sport! Combinado com um blazer mais clássico e um scarpin, fica super fashion!

CALÇA JOGGER

A queridinha das fashion girls: a Calça Jogger está ganhando cada vez mais espaço no nosso guarda-roupa! Olha como dá para ousar muito com ela!

LEGGING TRADICIONAL

Essa peça dispensa qualquer comentário, né? Vai bem com absolutamente tudo! É só experimentar!

TRACK PANT

Essa calça, pra quem não sabe, é aquele modelo mais larguinho, geralmente acompanhada de listras na lateral, para remeter exatamente ao esporte! As fashionistas usam muito! Dá um ar de sport chic! 

Fonte: Modait




domingo, 5 de março de 2017

No Brasil, Reciclagem e troca de roupas ditam tendência


As mudanças na forma de consumir desembarcaram no Brasil, com iniciativas para facilitar a vida de quem precisa consertar um aparelho ou projetos de upcycling, que reutilizam sobras, resíduos e produtos inutilizados para criar novas peças.

Uma das que tentam mudar o modo de fazer moda é Gabriela Mazepa, fundadora do Re-Roupa, que mistura loja com oficinas e palestras de upcycling, e tem um lado social, ao empregar costureiras de comunidades de baixa renda.
A criação no upcycling, conta a estilista, é um desafio a mais. Isso porque os tecidos usados são retalhos que fábricas e confecções jogariam no lixo:

— Não posso definir que vou fazer uma coleção toda amarela, por exemplo, porque não escolho os tecidos que vou pegar. É um processo criativo muito intenso, porque você não sabe o que vai aparecer.

E a ideia de não comprar à toa vai além das roupas, segundo Gabriela, que diz procurar quem conserte seus aparelhos quando eles quebram:

— Meu pai é engenheiro e consertava as coisas na nossa casa. Para mim, isso é natural, sempre que posso, tento estender a vida das coisas. Mas não sou radical, se for preciso, compro.

O upcycling virou curso do IED, na Urca. E, em breve, voltará a ser tema de aulas, mas com foco na aplicação da técnica ao design, transformando um objeto em outro, conta Fabio Palma, diretor do IED do Rio.

— A economia hoje é linear: produzida num canto, vendida em outro e consumida na ponta. No upcycling, você fecha um ciclo, usa matéria-prima que era descarte e volta a ser matéria-prima. — diz Palma. — A economia circular é mais sustentável e respeitosa ao meio ambiente.

Fruto do Re-Roupa, o Roupa Livre mistura eventos de troca de roupas, produção de conteúdo, um site que mapeia iniciativas de consumo consciente e um aplicativo para celular em fase de gestação, mas que promete promover essa forma de olhar para as coisas. Para Mari Pelli, fundadora do Roupa Livre, a troca de peças já era feita dentro das famílias, mas ganhou nova cara:

— O que anos atrás não parecia interessante, hoje chega a ser uma alternativa viável para substituir a necessidade de compra. Não compro nada novo há três anos. Só renovo meu guarda-roupa com troca, reforma, transformação, consertos e roupas de segunda mão.

Uber dos consertos

E para ajudar quem acredita que o que quebrou deve ser consertado e não trocado, surgiu o Consertaê — um “Uber” dos reparos. O site cadastra técnicos, checando antes habilidades, referências e antecedentes criminais. Do outro lado, o cliente agenda o atendimento, preenchendo um formulário no site, no qual indica o problema e o melhor dia e horário para o serviço — que pode ser pago com cartão de crédito.

— Com a crise, o número de pessoas que preferem consertar aumentou bastante. Porém, acho que, mesmo após o Brasil se recuperar, o comportamento continuará — diz Marcílio Quintino, fundador do Consertaê.

Uma das usuárias da plataforma é a empresária Jessica Paula, que procurou um técnico para reparar seu celular:

— Poder consertar é uma opção melhor que comprar outro.

Outra iniciativa que recicla dando novo valor ao produto é a Retalhar. Ela tem parceria com 20 empresas e transforma resíduos têxteis, como uniformes antigos, em brindes, cobertores para doação ou mantas acústicas, usadas em construção. A prática é vantajosa para o meio ambiente e para empresas, que garantem o descarte correto dos uniformes.

Fonte: Revista Pegn


sábado, 4 de março de 2017

Verde é a cor de 2017. Mas e na Lingerie?


Tons que inspirem uma vida mais calma e que reflitam a vontade do contato com a natureza são as principais escolhas da Pantone para 2017. Entre eles, destaca-se o Greenery: uma nuance de verde natural, encontrado principalmente nas folhagens.



Apesar de incomum no segmento de moda íntima, trata-se de uma cor que combina sim muito bem com a lingerie. Eleja principalmente designs glamourosos, com o uso de tecidos como cetim ou renda.

Dá também para apostar em variações da nuance, como verdes mais escuros para a temporada de inverno.


Para detalhes como alças e/ou aplicações, a cor combina muito bem com o preto e com o off-white (ou até o rosa, quando mais vibrante). Já nas modelagens, opte pelas mais sensuais, com strappy, cinta-liga e até perfume vintage com calcinha e tops maiores.

Fonte: Alllingerie


sexta-feira, 3 de março de 2017

Para o setor têxtil, menos impostos é igual a mais emprego

A Abit, que representa os fabricantes de vestuário, pede uma Reforma Tributária que barateie a mão de obra, que chega a representar até 60% dos custos da confecção de roupas,

O setor têxtil está entre os maiores empregadores da indústria. São 1,5 milhão de postos de trabalho diretos e outros 8 milhões de indiretos gerados ao longo da sua cadeia. E as contratações só não são maiores porque oferecer emprego no Brasil custa caro.

Em média, 30% dos custos de produção das confecções são gerados pela mão de obra, mas podem chegar a 60% em alguns segmentos -como o de moda íntima feminina.

É sempre difícil entender como em um país com 12,9 milhões de desempregados, as contratações sejam desestimuladas devido aos enormes encargos.

Desonerar o custo do trabalhador é um dos principais pleitos do setor têxtil, algo que não depende necessariamente de uma Reforma Trabalhista, e poderia virar realidade por meio de mudanças no sistema tributário.


Para Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), um caminho viável seria permitir que a mão de obra gerasse créditos de Pis/Cofins, medida que beneficiaria aqueles setores que têm mais encargos sobre a folha de pessoal por empregar mais.

Esse tema é discutido no âmbito de uma proposta de unificação dos regimes de Pis/Cofins, em estudo desde o governo Dilma, que seria um primeiro passo de uma Reforma Tributária mais ampla.

Hoje esses dois tributos podem ser recolhidos pelo regime cumulativo, que possui alíquota conjunta de 3%, mas não permite crédito.

Ou mesmo pelo regime não cumulativo, com alíquota maior, de 9,25%, porém, permitindo às empresas se creditarem com base na incidência dos impostos ao longo da cadeia.

A proposta em estudo coloca todas as empresas, sejam elas do Lucro Real ou do Presumido, no regime não cumulativo, sujeitas assim a uma alíquota maior, mas podendo se creditar. Em geral, o crédito é gerado na aquisição de insumos.

Mão de obra não gera o benefício. Ou seja, para que o pleito da indústria têxtil seja atendido, essa limitação para a concessão dos créditos teria de mudar.

Essa é uma demanda geral das empresas que possuem grandes gastos com a folha de pessoal, como as do setor de serviços, mas ainda não há consenso.

REDUÇÃO DA CARGA TRIBUTÁRIA

Outra providência pleiteada pelo setor têxtil é criação de um regime diferenciado para as empresas de confecção, algo que iria além do Simples Nacional.

A Abit desenhou em 2014 uma proposta chamada Regime Tributário Competitivo para Confecção (RTCC), ideia reapresentada ao governo Temer.

Trata-se de um conjunto de medidas que busca simplificar e desonerar a produção de confecções de vestuários, tendo como objetivo reduzir a carga tributária desse segmento dos atuais 17% para 5%.

Entre as ações consta a possibilidade de as companhias que adquirem mercadorias de micro e pequenas confecções usarem, integralmente, os créditos de ICMS

Esse é um problema do Simples Nacional, segundo Pimentel. “Poucas empresas compram das pequenas confecções porque o Simples não permite gerar crédito do ICMS de maneira integral. Isso nós queremos mudar com o RTCC, porque o setor têxtil é muito dependente das pequenas empresas”, diz o presidente da Abit.

De maneira geral, o RTCC envolve a simplificação e a redução das alíquotas do IPI, Imposto de Renda, Pis/Cofins, CSLL e da contribuição patronal à previdência.

“É algo que vai na linha do Simples, mas para setores que usam muita mão de obra. O Simples melhorou com a ampliação dos limites para enquadramento e com as mudanças nas tabelas, mas temos ainda o problema de geração de crédito”, diz Pimentel

O presidente da Abit também diz apoiar uma Reforma Tributária mais ampla, desde que caminhe na direção de um Imposto sobre valor Agregado (IVA). Essa é uma proposta que ganhou força no âmbito do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, formado por empresários e demais representantes da sociedade civil. Também faz parte de uma proposta de Reforma Tributária que tramita na Câmara do Deputados.

O IVA absorveria o ICMS, ISS e o Pis/Cofins. Esse novo imposto seria cobrado uma única vez, na venda, diferentemente de como ocorre hoje, com imposto incidindo ao longo de toda a cadeia produtiva, um efeito cascata no qual um tributo incide sobre outro, encarecendo o produto final. 

“A Reforma precisa simplificar a vida do empresário, para que ele se preocupe apenas em produzir. Hoje o Brasil está disfuncional no campo tributário. Temos muitas obrigações acessórias, que geram burocracias, e legislações confusas e conflitantes”, diz Pimentel.

Ele exemplifica com o ICMS, que tem legislações diferenciadas de estado para estado, o que exige das empresas tempo e recursos para o cumprimento de todas as obrigações. “Não acho que seja necessário recriar o Ministério da Desburocratização (durante o governo Geisel), mas seria valioso se todos os dias o governo baixasse um ato de simplificação”, afirma o presidente da Abit.

REINTEGRA

Outra demanda dos empresários do setor têxtil no campo tributário é a ampliação dos créditos do Reintegra, um regime especial que devolve, parcial ou integralmente, resíduos tributários gerados na cadeia de produção de itens voltados à exportação. 

Hoje, o crédito tributário devolvido pelo regime é de 2% das receitas de exportação. Para Pimentel, o crédito justo deveria ser entre 5% a 7%. Ele vê o Reintegra como sendo uma ferramenta para o exportador mais importante do que o câmbio. 

Em 2016, as exportações do setor têxtil caíram 3,7%, para 199 mil toneladas, o que gerou um déficit na balança setorial de US$ 3,2 bilhões.

O faturamento do setor têxtil e de confecção no ano passado foi de R$ 129 bilhões, valor 1,5% menor que o de 2015 (R$ 131 bilhões). E o investimento em máquinas e equipamentos foi de R$ 1,67 bilhão, 25,5% a menos do que em 2015, quando o investimento chegou a R$ 2,24 bilhões.

Renato Carbonari Ibelli

Fonte: Diário do Comércio - SP